Astroturismo em San Pedro de Atacama: por que o deserto chileno se consolida como destino de observação astronômica
SÃO PAULO/ SP - BRASIL -O deserto da região de Antofagasta reúne condições que o posicionam entre os melhores lugares do mundo para observar as estrelas: céus escuros, baixa umidade, altitude e uma poluição luminosa quase inexistente. Não é por acaso que os principais observatórios científicos do planeta escolheram essa região do norte do Chile para instalar seus telescópios. E são essas mesmas condições que hoje permitem que qualquer pessoa, sem conhecimento prévio de astronomia, viva uma experiência de observação difícil de igualar em outro destino de fácil acesso.
A cena é simples e, ao mesmo tempo, memorável: ao cair da noite, longe das luzes do vilarejo, a Via Láctea surge cruzando o céu com uma nitidez que surpreende até quem já a tinha visto antes. Para os brasileiros, cada vez mais em busca de experiências autênticas e ligadas à natureza, o astroturismo se tornou uma das grandes razões para colocar San Pedro de Atacama no radar.Astroturismo para todos os públicos
Os tours astronômicos de San Pedro de Atacama são pensados para
todos os perfis de viajante, com guias de vasta experiência que
explicam o céu de forma didática, com dados científicos, mas sem
termos técnicos complexos, e com grande respeito à cultura indígena
Lickan Antai, incorporando aos relatos a cosmovisão andina. É uma
experiência que não exige ser especialista para aproveitar,
reunindo a maravilha natural do universo, os mistérios científicos
e a vivência cultural dos primeiros povos indígenas que habitaram
este território.
Em geral, um tour astronômico consiste em sair da área urbana de
San Pedro de Atacama rumo a uma zona de céu aberto e baixa
luminosidade, onde um guia especializado orienta o grupo sobre as
constelações do hemisfério sul com a ajuda de um apontador laser e
telescópios profissionais, o que permite observar planetas,
aglomerados de estrelas e a Lua, conforme o dia em que a atividade é
realizada. A maioria dessas experiências se encerra com uma bebida
quente sob as estrelas. Para os interessados em fotografia, há tours
astronômicos que costumam incluir também um retrato do visitante
sob a Via Láctea. Vale lembrar que essas experiências rendem mais
em noites sem lua cheia, quando o céu está mais escuro.
Uma alternativa que vem ganhando procura e tem grande valor
cultural são os tours especializados em cosmovisão andina. Em vez
do enfoque puramente científico, mostram como os povos originários
do deserto interpretavam o céu, guiando sua vida por suas próprias
constelações, mitos e calendário. É uma maneira de unir
astronomia e cultura ancestral em um mesmo passeio.
Um dado relevante para planejar a viagem: embora o céu possa ser
observado praticamente o ano todo, as noites próximas à lua cheia
oferecem menor visibilidade das estrelas, ainda que a paisagem se
ilumine de forma particular. Quem prioriza ver o maior número de
estrelas deve planejar a viagem em torno da lua nova.
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Recomendações práticas
San Pedro de Atacama fica em um deserto de altitude, por isso ir
bem preparado faz toda a diferença na experiência.
As temperaturas mudam bruscamente entre o dia e a noite: pode
fazer 27°C durante o dia e cair para 1°C ou menos depois do pôr do
sol. Como as observações são ao ar livre e prolongadas, é
fundamental levar agasalho adequado. A altitude também é um fator a
considerar. A comuna de San Pedro de Atacama fica a cerca de 2.400
metros acima do nível do mar, e vários tours sobem ainda mais, de
modo que o mal de altitude, conhecido localmente como "soroche"
ou “apunamiento”, é frequente. Recomenda-se hidratar-se
constantemente, levar o primeiro dia com calma e evitar o álcool
logo na chegada.
A radiação solar é intensa durante o dia, mesmo quando não se
sente tanto calor, por isso o protetor solar, o chapéu e os óculos
de sol são indispensáveis. Também é aconselhável levar água em
cada saída, no mínimo um litro por pessoa, já que a secura do
ambiente desidrata com facilidade.
Como chegar a partir do Brasil
San Pedro de Atacama não tem aeroporto próprio. A porta de entrada é a cidade de Calama, onde fica o aeroporto El Loa (CJC).
De São Paulo, o trajeto habitual é voar até Calama com conexão
em Santiago do Chile. O trecho entre Santiago e Calama leva pouco
mais de duas horas e conta com cerca de dez frequências diárias.
Do aeroporto de Calama, restam cerca de 100 quilômetros até San
Pedro pela Rota 23, um percurso de aproximadamente uma hora e vinte
minutos em meio à paisagem do salar. As opções para cobrir esse
trecho são o transfer compartilhado, disponível após a chegada de
cada voo, o ônibus ou o aluguel de um veículo.
Como se locomover no destino
O vilarejo de San Pedro de Atacama é pequeno, de ruas de terra e
arquitetura de adobe, e pode ser percorrido a pé sem dificuldade.
Para conhecer os principais atrativos do deserto mais árido do
mundo, como o Valle de la Luna, os gêiseres do Tatio e as lagunas
altiplânicas, o habitual é contratar tours com operadores locais
que incluem o transporte. A bicicleta é outra opção frequente para
os arredores mais próximos. O carro alugado oferece mais autonomia,
embora algumas rotas exijam direção cuidadosa e boa tração.
A importância de contar com um guia
Em um destino como San Pedro de Atacama, a figura do guia
especializado é essencial. Além de facilitar a observação, o guia
ajuda a compreender o que se está vendo: orienta em um céu que, no
hemisfério sul, apresenta constelações diferentes das que muitos
viajantes conhecem, e dá acesso, por meio do telescópio, a objetos
impossíveis de apreciar a olho nu.
No deserto, além disso, o guia cumpre um papel de segurança. As
distâncias são grandes, as condições climáticas mudam
rapidamente e o terreno exige experiência. Contratar guias e
operadores locais não só melhora a qualidade da experiência, como
traz tranquilidade e contribui para a economia das comunidades do
destino.
Uma experiência imperdível
O astroturismo consolidou San Pedro de Atacama como um dos destinos preferidos do viajante brasileiro no norte do Chile. A combinação de céus privilegiados, entre os mais escuros do planeta, paisagens desérticas únicas e uma oferta de experiências cada vez mais consolidada explica o interesse crescente por essa região do país e reforça o convite a conhecer este território.
Foto: Divulgação SERNATUR
Fonte:
TGallian@aviareps.com
LSanches@aviareps.com

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