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Carnaval 2026: calor extremo, multidões e excesso exigem atenção redobrada à saúde

 


SÃO PAULO/ SP - BRASIL  Uma das festas mais populares do país, o Carnaval, acontece nos próximos dias 14 e 17 de fevereiro e deve mobilizar mais de 53 milhões de foliões em todos os estados do país, segundo estimativa do Ministério do Turismo. Na cidade de São Paulo, a expectativa é de reunir cerca de 16 milhões de pessoas em mais de 650 blocos de rua, consolidando a capital como um dos principais destinos durante a festividade.

Em um cenário marcado por ondas de calor mais intensas, grandes aglomerações e longas jornadas em pé, especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz alertam que a combinação de fatores pode aumentar o risco de desidratação, exaustão térmica, quedas de pressão, infecções e lesões musculoesqueléticas. A adoção de medidas simples é fundamental para garantir que a folia termine apenas em boas lembranças.

Calor extremo: hidratação é prioridade absoluta

Com as ondas de calor típicas do período, a hidratação exige atenção redobrada. Durante os blocos de rua, é comum o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e a redução da ingestão de água, o que pode agravar quadros de desidratação. Além disso, a exposição prolongada ao calor pode provocar o superaquecimento do corpo, conhecido como hipertermia, levando a sintomas como tontura, queda de pressão, desmaios e até insolação.

“A hidratação é essencial para manter a temperatura corporal e o bom funcionamento dos órgãos. A água é suficiente para a maioria das pessoas, mas, em casos de desidratação mais intensa, bebidas isotônicas podem ser uma boa opção”, ressalta a Dra. Letícia Jacome, clínica médica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Outra recomendação importante é moderar o consumo de bebidas alcoólicas, que, além de contribuírem para a desidratação, aumentam o risco de acidentes. A exposição contínua ao sol também exige atenção especial com a pele. O uso de protetor solar é indispensável, inclusive sobre a maquiagem, e deve ser reaplicado a cada duas horas, ou antes, em casos de suor excessivo ou contato com a água.

“Não existe um tempo totalmente seguro de exposição ao sol. Por isso, é fundamental buscar sombra sempre que possível, usar roupas leves e claras, acessórios como chapéus ou bonés, manter-se hidratado e não esquecer do protetor solar”, orienta a especialista.

Prevenção de doenças infecciosas

A grande concentração de pessoas nas ruas torna o contato físico praticamente inevitável, o que facilita a disseminação de doenças infecciosas. Por isso, é importante que os foliões estejam com a vacinação em dia, incluindo doses e reforços contra a Covid-19 e a gripe.

A especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz também reforça a importância da prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV e sífilis. Durante os dias de festa, o risco de contágio pode aumentar, tornando essencial a adoção de práticas sexuais seguras, como o uso de preservativos. Diante de qualquer sintoma, a avaliação médica é indispensável.

Outro cuidado envolve a mononucleose infecciosa, conhecida como “doença do beijo”, causada por um vírus transmitido principalmente pela saliva. “Evitar o compartilhamento de copos, latas e garrafas, além de higienizar as mãos com frequência, preferencialmente com álcool em gel, ajuda a reduzir o risco de viroses e outras infecções”, finaliza a médica.

O descanso também faz parte da folia

Frequentemente negligenciado na programação, o descanso é essencial para preservar a saúde e garantir melhor aproveitamento dos blocos e desfiles. De acordo com o ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Gabriel Pecchia, passar horas dançando em um bloco ou caminhar atrás de trios elétricos se assemelha a uma atividade esportiva, podendo gerar sobrecarga ao corpo, especialmente nas articulações, como tornozelos, joelhos e quadril.

“É importante ter atenção a essas articulações. Por isso, recomenda-se que, a cada 40 minutos a uma hora de atividade, a pessoa descanse por pelo menos 10 minutos”, orienta o especialista.

Além disso, a escolha dos calçados é essencial para reduzir o impacto dos longos períodos em pé.

O uso de tênis com bom amortecimento, como os indicados para caminhada ou corrida, é o mais recomendado, pois ajuda a absorver o impacto, poupa as articulações e diminui o risco de torções.

Após um dia de festa, o repouso é essencial para a recuperação do corpo, especialmente para quem pretende aproveitar vários dias de Carnaval. Em casos de dores persistentes ou lesões, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes.

Quem tem doenças ou lesões deve redobrar os cuidados

Pessoas com doenças crônicas também podem aproveitar o período, mas precisam de atenção redobrada. Manter o uso regular das medicações e avaliar possíveis interações com o consumo de álcool são cuidados essenciais durante a folia.

“Aqueles com doenças cardíacas, respiratórias ou diabetes deve ter atenção especial, evitar esforço excessivo e não se expor ao sol por longos períodos”, orienta a Dra. Letícia Jacome. Segundo a especialista, respeitar os próprios limites ajuda a prevenir descompensações e intercorrências durante os dias de festa.

Para quem possui histórico de lesões ortopédicas, como problemas nos joelhos, tornozelos ou coluna, o alerta é para o excesso de impacto e os longos períodos em pé. Caminhadas prolongadas e exageros na intensidade da atividade física podem agravar dores crônicas e até piorar lesões pré-existentes.

“Se a pessoa já convive com uma lesão que causa dor, o excesso de esforço pode levar à piora do quadro. Cada caso exige uma orientação específica, mas a recomendação geral é ter atenção especial e evitar exageros”, explica o Dr. Gabriel Pecchia, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Foto meramente ilustrativa: Freepik
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 Conteúdoink 

 




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